Pessoas, Culturas, Actualidade, Ciência, Mundo... Um Blog "Sociedade Civil"

27 de março de 2010

Reunião de Trabalhos (1ª Semana)

Volto Segunda-Feira com mais uma crónica pessoal “Sociedade Civil”.

Até lá, reveja os assuntos debatidos esta semana e comente se ainda não o fez:


26/03 - Dinamização do Interior (aqui)

25/03 - Celibato dos Padres (aqui)

24/04 - Respostas Sociais para Crianças e Idosos (aqui)

23/03 - A Tauromaquia é Cultura? (aqui)

26 de março de 2010

Dinamização do Interior

Nos dias actuais, estar isolado pode ter diversos significados e pode ser originado por diferentes razões. Para mim, estar isolado é o mesmo que viver dia-a-dia sem o acesso livre à internet. Costumo dizer que a Internet é a aldeia Global, visto a sua informação ser ilimitada no tempo e no espaço. Está longe de existir um litoral e um interior. Nem temos o problema de estarmos isolados das populações para aceder a tais redes sociais, enviar e-mails, falar interactivamente… Se não tivéssemos estes mecanismo como seria? Sem dúvida nenhuma, os nossos problemas iriam duplicar.

Mas nem tudo é mau e as novas tecnologias só vieram beneficiar esta dinamização das áreas mais rurais. À medida que as compras e o trabalho via Internet vão se tornando mais populares, é possível que as pessoas se sintam menos inclinadas a viajar para as grandes metrópoles. O livro Cities in Civilization (As Cidades e a Civilização) diz o seguinte: “Podemos prever que alguns trabalhadores que fazem serviços repetitivos, em especial trabalhadores de part-time, vão trabalhar só em casa ou em estações de trabalho nas vizinhanças reduzindo assim o volume total de tráfego dentro das cidades.” O arquitecto Moshe Safdie também especula: “Neste novo ambiente, poderemos ter milhões de pequenas vilas espalhadas pelo mundo que darão aos seus moradores os confortos da vida na cidade pequena e, por via electrónica, a riqueza cultural das grandes cidades históricas.”

No passado, para ter acesso a várias informações do mundo e estar actualizado era necessário viver nas grandes cidades. Só dessa forma era possível ter uma formação cultural à altura das exigências. Mas a realidade, como todos sabemos, mudou. Hoje, um dos aspectos mais importantes é ter acesso à rede mundial de informação, independentemente do local onde estejamos a viver. Não há problema se estivermos num local isolado ou se estivermos numa grande cidade, sendo que residindo num local ermo e isolado teremos certamente o proveito de uma tranquilidade especial.Apesar do desenvolvimento registado ao longo dos últimos anos, nomeadamente em infra-estruturas viárias que permitiram ligar as várias localidades deste país, Portugal é ainda um país com grandes assimetrias entre as grandes áreas metropolitanas, Porto e Lisboa, e as pequenas/médias cidades. Acresce a estas, as diferenças de desenvolvimento existentes entre o litoral e interior do País.

Com o objectivo de assegurar a coesão territorial e tendo em vista defender uma verdadeira igualdade de oportunidades entre todos os cidadãos, independentemente do local onde residam, temos que realçar a assinatura dos contratos do concurso de redes de nova geração em zonas rurais que o Governo celebrou recentemente. Enquadrado num programa europeu, em que Portugal foi o primeiro país a avançar, foram contemplados neste pacote 139 municípios rurais do país. Destaque-se a inclusão na região algarvia, dos concelhos de Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Monchique e Vila do Bispo. Este investimento público nas áreas rurais é justificado por não existir atractividade suficiente para os operadores privados, que devido ao elevado investimento em causa e risco associado, não o fariam caso não existisse incentivo público. Em termos objectivos, este investimento vai permitir dotar as zonas rurais de comunicações electrónicas de alta velocidade, abrangendo mais de 800 mil casas, 1,2 milhões de pessoas, num investimento de 156,5 milhões de euros.

Paralelamente, este investimento gerará novas oportunidades de negócio, mais riqueza, mais emprego, sobretudo nos locais onde este é mais necessário, isto é, nas zonas economicamente mais deprimidas e onde normalmente o investimento teima em escassear, por muitas medidas que se vão tomando. É necessária uma política de desenvolvimento regional, mais preocupada num desenvolvimento equilibrado do País e não numa política que privilegie a absorção de fundos comunitários em termos financeiros. O Interior não pode ser visto como «uma reserva de índios». A defesa da qualidade ambiental e dos recursos naturais permitirá o desenvolvimento privilegiado do turismo rural, da caça e da pesca. Mas também é necessário desenvolver o sector industrial e dos serviços, potenciando a utilização de recursos humanos disponíveis e uma rede viária de ligação à Europa. A agricultura, a floresta e o sector artesanal poderão desenvolver-se no quadro de uma política integrada de reanimação do mundo rural, valorizando o grande património histórico e natural. O abandono dos campos terá que ser combatido através de políticas ligadas à utilização da água (Alqueva, Cova da Beira) e à promoção de produtos artesanais de qualidade, desenvolvendo soluções cooperativas e de apoio à comercialização de pequenas unidades e microempresas. Pensar o Interior implica a criação de regiões que tenham o apoio nacional e comunitário que o seu desenvolvimento exige.

25 de março de 2010

Celibato dos Padres

O Celibato, como requisito sacerdotal, é cada vez menos popular entre os católicos. Quando o Papa João Paulo II visitou a Suíça, uma pesquisa mostrou que apenas 38% dos católicos naquele país eram a favor do celibato sacerdotal obrigatório. Nos Estados Unidos, uma pesquisa Gallup de 1983 mostrava que 58% dos católicos romanos eram a favor de se permitir que os padres casassem. Todavia, o Papa João Paulo II confirmou a lei do celibato clerical, assim como Paulo VI fizera em sua famosa encíclica “O Celibato Sacerdotal”, promulgada em 1967. Por que será que o Vaticano continua a impor esta lei impopular, muito embora isto pareça ser contrário a seus próprios interesses?

No preâmbulo desta encíclica de 1967, o Papa Paulo VI admitiu que “o Novo Testamento, em que nos é conservada a doutrina de Cristo e dos Apóstolos, não exige o celibato dos ministros sacros”. Assim, se o celibato obrigatório dos sacerdotes não se origina nem de Cristo, nem de seus apóstolos, de onde proveio? “Nos antigos tempos pagãos, o celibato era encarado com honra”, observa a Enciclopédia de M’Clintock e Strong. Outras obras de referência indicam que tais “velhos tempos pagãos” remontam à antiga Babilónia e Egipto. Declara o The New Encyclopœdia Britannica: “Com o surgir das grandes civilizações antigas, o celibato aflorou em diversos contextos.” Ele estava, por exemplo, conectado com a adoração de Ísis, a deusa egípcia da fertilidade, como observa a revista Britannica: “A abstinência sexual era um requisito absoluto para aqueles que celebravam os santos mistérios dela.” Por que será que, imitando as antigas religiões pagãs, a Igreja Católica adoptou este requisito de um clero celibatário?


Quanto aos efeitos de se negar aos sacerdotes a oportunidade de se casarem, observa a The Catholic Encyclopedia: “Não nutrimos nenhum desejo de negar ou amainar o nível baixíssimo de moral em que ocasionalmente mergulhava o sacerdócio católico, em diferentes períodos da história universal, e em diferentes países, que se denominavam cristãos.” Mesmo na actualidade, a imoralidade sacerdotal, em muitos países, tem tido o efeito de rebaixar o sacerdócio aos olhos das pessoas honestas. A lei do celibato sacerdotal, adaptado de cultos pagãos, tem também causado a degradação do casamento. Como afirma a The New Encyclopœdia Britannica: “Esta ideia de pureza cultual aumentou a tendência de desvalorizar o casamento e de endemoninhar o sexo, e levou à exigência de que os sacerdotes e os monges guardassem o celibato, que provocou uma contenda, já por muitos séculos, no seio da igreja.”

O celibato sacerdotal foi adoptado por motivos inconfessáveis, o que talvez explique por que está a ser mantido. Outrossim, realmente não trouxe benefícios, nem para os leigos católicos, nem para os clérigos. Até a própria Igreja tem sofrido, uma vez que se crê, em geral, que a actual escassez de sacerdotes se deva notadamente a esta lei antibíblica.

24 de março de 2010

Respostas Sociais para Crianças e Idosos

Um tema de elevada importância que poderá ter um vasto “mar” de opiniões das mais variadas entidades. Quando se fala em resposta social, fala-se em um serviço prestado de alguém para alguém, ou seja, uma acção que só poderá beneficiar a sociedade populacional envolvente. Neste caso, as crianças e idosos. Muitas vezes, o problema que assola este tipo de faixas etárias, é a preocupação da vida num futuro próximo ou num futuro longínquo. Centro-me agora a falar dos idosos. Em Portugal o serviço prestado aos idosos já foi muito pior, mas bem pior do que vemos hoje. Mesmo assim, ainda existe muito trabalho a fazer, muitas decisões a tomar. A existência de centenas de lares de idosos ou centros de dia, não é por si só a única maneira de dar uma resposta social a este “tipo” de populações. Na maioria das vezes, senão todas, os idosos são lançados para estes centros como um produto improdutivo. Será esta a melhor resposta social? Sim, porque podemos ter todos os meios de dar resposta, mas talvez esses não sejam os melhores. Mesmo no século 21, este sentimento é comum entre os idosos que temem não mais ser encarados como produtivos. Limitações por causa da saúde fraca, facilmente levam a sentimentos de inutilidade, e a aposentadoria compulsória pode diminuir a auto-estima. No entanto, por nos concentrarmos no que podemos fazer em vez de ficarmos desanimados pelo que não podemos fazer, manterás a auto-estima e fará dos idosos pessoas úteis.

Melhor que tudo isto é podermos ligar estas duas faixas etárias e fazer com que o trabalho tanto dos idosos como das crianças se torne valorizado. Podemos juntar as populações juvenis e idosas, resultando daí, uma resposta social muito mais produtiva fisicamente e emocionalmente. E fundamento esta minha opinião com o escrito a seguir. “Grande parte do trabalho não remunerado que os idosos fazem provê ajuda que seria difícil conseguir usando mão-de-obra remunerada.” O estudo revelou que os “australianos com mais de 65 anos contribuem por ano (para a sociedade) quase $39 bilhões de dólares australianos [$27 bilhões, EUA] em actividades não remuneradas e trabalho voluntário”. Essas actividades voluntárias incluem por exemplo cuidar de crianças. Este trabalho não remunerado, dizem os autores, “pode fazer o papel de resposta social, que ajuda a manter a sociedade unida”. Não se pode medir seu valor apenas em termos monetários.

Depois deste fundamento, penso que muitas dúvidas estão respondidas e muitas outras questões também poderão ser levantadas. Este é um tema que tem que ser debatido quanto possível. As nossas populações estão cada vez mais dispares, ou seja, mais idosos e crianças e menos pessoas de meia-idade, ou activas na sociedade. Sendo assim, os planos de resposta social têm que começar a ser planejados. Em alguns países da Europa, cresce o descontentamento com os serviços de saúde. Dados colhidos pela Comissão Europeia indicam que muitos idosos e crianças em Portugal, na Grécia e na Itália são da opinião de que os serviços de saúde deixam muito a desejar. É preciso admitir que a saúde pública na Europa vem sofrendo grande pressão. Ora, isto tem que ser mudado. A realidade é que entre os 580 milhões de idosos no mundo, 60% vivem em países em desenvolvimento. A melhoria nos serviços de saúde, no saneamento, nas moradias e nos hábitos alimentares possibilita que mais e mais pessoas nesses países cheguem à velhice.

Ontem, no programa “30 Minutos” na RTP 1, foram abordados temas muito interessante e de grande importância. Posso apenas destacar o que interessa para este assunto. Existem dezenas de crianças sem resposta social ao seu ensino pré-escolar. Em muitas freguesias de Beja, o ensino pré-escolar dado a estas crianças é dado pela grande disposição da professora que metade do dia está numa escola a ensinar 3-4 crianças e da parte da tarde já está na outra ponta do concelho a leccionar outros 3-4 alunos. Teremos nós que repensar em todas as respostas sociais?

23 de março de 2010

A Tauromaquia é cultura?

A tauromaquia tem-se desenvolvido por milhares de anos, em especial na Espanha. Uma razão disso é que a raça espanhola de touros possui as qualidades especiais necessárias a tal actividade. O suporte financeiro da tauromaquia na Espanha tem sido grandemente destacado nos últimos quinze anos pelo surto de turismo que agora traz cerca de trinta milhões de pessoas anualmente à Espanha. A maioria dos turistas assiste a uma tourada, pois imaginam ser uma típica experiência espanhola. Isto, contudo, está muito longe da verdade. Embora a tourada seja considerada a “fiesta nacional” na Espanha, a maioria dos espanhóis não frequentam touradas e pouco se interessam por elas. Mas, enquanto houver pessoas dispostas a pagar, sempre haverá toureiros dispostos a tourear e criadores dispostos a produzir mais touros. Mas, como a tourada influi nos que assistem a ela?


As reacções à tourada são muito variadas! Alguns consideram-na como repulsiva, ao passo que outros sentem-se fascinados pela mesma. O aficionado, por exemplo, não se aflige de forma alguma com a morte do touro. Está mais interessado na arte, na graça e na perícia do toureiro ao usar a capa e a espada. Mas, ao passo que muito é dito quanto à arte e à graça do toureiro, até mesmo os apologistas modernos das touradas reconhecem a crueldade contra o animal. Na minha opinião, não deixa de ser um acto de crueldade para uma simples exibição. Faz-me lembrar o tempo dos gladiadores, onde se matavam severamente pessoas para o divertimento de outras. Hoje, não temos pessoas nas arenas, mas temos animais indefesos!

A multidão não deseja realmente ver um homem ser morto, mas a possibilidade de morte e o desdém e a evasão perita de danos por parte do homem, emocionam a multidão. A assistência não se interessa em simplesmente ver um homem entrar na arena, matar um animal da maneira mais segura e sair ileso; Não, nada disso, deseja ver a perícia, a graça e a ousadia. Portanto, uma corrida não é realmente uma luta entre um homem e um touro, antes, é entre um homem e ele mesmo; quão perto ousará ele permitir que os chifres cheguem, até que ponto irá a fim de agradar a multidão?

Interessante é que a tourada portuguesa não é tão popular junto ao público pagante como em outros países. Enfim… Só espero que estes hábitos não se espalhem por muito mais culturas.